Curiosidades do Mundo Automobilístico

Ferrari Testarossa: Mais que um carro, o símbolo de uma época!

O universo do automobilismo foi marcado por veículos que fizeram história em algum momento. Seja pela grande disputa com outros supercarros ou pelo seu luxo, potência ou design. Sem dúvidas, a Ferrari Testarossa foi um desses veículos que ficaram na mente de pessoas no mundo inteiro.

Contudo, qual seria o principal motivo para esse sucesso que ultrapassou décadas? Para entender isso, é necessário explicar todo o contexto histórico e, principalmente, as características do carro. Fico curioso para conhecer mais sobre esse modelo icônico da montadora italiana? Então, venha mergulhar no universo da Ferrai Testarossa e conheça mais sobre essa super máquina.

Acompanhe!

Contexto histórico da época

A década de 1970 foi marcada por uma profunda crise econômica mundial, que combinou recessão, inflação e desemprego. Esse período não foi tão sombrio quanto outras crises que existiram no mundo, porém, muitos países ainda se recuperavam da grande depressão, que ocorreu poucas décadas antes.

 

Fonte Reprodução do site History 1970s Crisis

Os efeitos também foram sentidos pela indústria automotiva, que promoveu o aumento dos modelos compactos, obedecendo à demanda por carros mais baratos e com menor consumo de combustível, especialmente após a alta do petróleo.

Contudo, é importante reforçar que, apesar das condições adversas, a década nos deu alguns dos modelos mais incríveis, como o Lamborghini Countach e o BMW Series 3. Se os anos 70 foram de crise, na década seguinte uma parte do mundo experimentaria a bonança, em especial os EUA.

Fonte Reprodução do site WheelsAge Lamborghini Countach 1974-78

A eleição de Ronald Reagan, que assumiria a presidência norte-americana em 1981, levou à adoção de uma nova política econômica, que teve como efeitos imediatos a retomada do crescimento. Na maior potência do mundo, os anos 80 foi uma década de bonança e exagero, o que repercutiu na música, cinema, moda e, claro, na indústria automotiva.

Para muitos jovens, Wall Street era como o El Dorado. Contudo, não bastava estar ali, era preciso fazer parte daquilo tudo, o que significa uma vida luxuosa e de excessos. O resultado foi uma verdadeira safra de carros de luxo. Entre eles, a Ferrari Testarossa, que se tornaria símbolo dessa era.

Fonte Reprodução do site Suno Research Reaganomics Politica Economica Americana

Veículos concorrentes da época

Nos anos 80 e 90, a Ferrari estava muito longe de dominar o mercado de supercarros. Existiam outras montadoras que também emplacaram veículos icônicos e que faziam concorrência direta com a Ferrari Testarossa. Um deles era o Jaguar XJ220. Um supercarro britânico que já foi considerado o mais veloz do mundo. Além dele, também existia o XJ-15 que, inclusive, venceu as 24 horas de Le Mans, uma competição muito concorrida, a qual a Ferrari dominou por muitos anos.

Fonte Reprodução do site Wikipedia XJ220

Outras montadoras que faziam concorrência direta com a Ferrari também atualizaram ou lançaram novos veículos, como Ford, Chevy e outras. Nesse sentido, a grande marca italiana precisou fazer um grande esforço para conquistar o mercado da época e você verá nos próximos tópicos que eles deram conta do recado.

Continue lendo!

Ferrari Testarossa: O supercarro dos anos 80

O ano era 1984 quando a Ferrari deixou o mundo de boca aberta no Salão de Paris com seu novo modelo, que tinha a árdua missão de substituir o 512 Berlinetta Boxer. O 512 foi o primeiro modelo saído de Maranello a contar com um motor central, sendo um clássico da década de 1970 e ainda hoje muito elogiado. O Testarossa, porém, cumpriu o desafio com louvor. Já na sua apresentação fez todas as dúvidas e receios se dissiparem.

Fonte Reprodução do Premier Financial Services Masterpiece Berlinetta Boxer

Seu design ousado, marcado pelas tomadas de ar laterais e linhas agudas, pode até soar brega aos olhos de hoje — não para nós —, mas inegavelmente era a cara da década. Tanto assim que o veículo foi unanimidade no Salão de Paris, tendo sido escolhido como o carro mais bonito do evento.

Hoje, a Testarossa está para os anos 1980 assim como a explosão dos fliperamas, videogames e computadores; Michael Jackson e a ascensão da música pop; o cinema de ação; Maradona, entre outros. Ou seja, o símbolo de uma época!

A diferença é que a Testarossa era acessível a poucos, o que a destacava dos demais. Acelerar o motor Boxer de 12 cilindros com 390cv, que permitia alcançar os 290Km/h e acelerar de 0 a 100Km/h em apenas 5,8 segundos — o motor mais potente de um carro de produção até aquele momento —, era um símbolo de status. Dedicaremos um tópico exclusivo para discorrer mais sobre a motorização desse supercarro.

Ao todo 7.177 unidades do modelo foram produzidas até 1991, quando deixaria de ser fabricado, ganhando alguma vida extra com atualizações posteriores, como a 512 TR (até 1994) e a 512 M (até 1996). As mudanças ocorridas nos anos 1990 — uma década na qual não cabia nem o pessimismo dos anos 1970 nem o otimismo exagerado e colorido dos 1980 — já não suportavam mais um veículo com o senso estético do Testarossa.

Fonte Reprodução do site Top Speed 1994 Ferrari 512 TR

Fonte Reprodução do site Top Speed 1996 Ferrari F512 M

Com isso, as vendas do veículo diminuíram, abrindo espaço para novos modelos da própria Ferrari e de outras montadoras. Entretanto, nada jamais apagará o nome desse icônico supercarro que, até hoje, estremece o coração de pessoas ao redor do mundo. Uma curiosidade interessante: durante o crash de Wall Street, em 1987, muitos investidores que fizeram fortunas nos anos anteriores viram suas finanças derreterem e esconderam suas Ferraris.

O resultado disso é que nos EUA, ainda hoje, se encontram Ferraris Testarossa com quilometragem da época, o que contribui para explicar a recente alta do modelo entre os colecionadores. Outra curiosidade interessante está ligada ao nome do modelo. Os engenheiros desenvolveram cabeçotes do motor com 4 válvulas em cada um dos cilindros. Para proteger essas peças, foram instaladas tampas na cor vermelha.

No idioma italiano, essa cor recebe o nome de rosso. Além disso, como essas tampas ficavam em cima do motor, foi criado o apelido testa rosso — que em português seria cabeça vermelha. Nesse sentido, resolveram unir as duas palavras para criar o nome do modelo, a Ferrari “Testarossa”.

Abaixo, você confere algumas fotos e detalhes da Testarossa 1987 que passou pela Paíto Motors:

Especificações técnicas da Ferrari Testarossa

Após entender o momento histórico do lançamento da Ferrari Testarossa, passaremos a demonstrar os motivos que fizeram dele todo o sucesso que conhecemos e ser um veículo desejado por muitos colecionadores e apaixonados pelo universo do automobilismo.

Motorização

Depois do design, a motorização é algo que mais chama a atenção nesse carro. Os 12 cilindros, que proporcionam uma aceleração de 0 a 100 em 5,8 segundos, são muito mais que simples números. Esse veículo usa um formato muito interessante, chamado de Boxer.

A principal diferença está no posicionamento dos cilindros. Eles são contrapostos e paralelos ao solo, dando uma impressão de estarem se golpeando. Esse motor ganhou muitos adeptos entre as montadoras, porém, perdeu seu uso devido às dificuldades de acesso que existiam e que, consequente, prejudicavam a manutenção.

Fonte Reprodução do site WallpaperUP Supercar Testarossa

Na Ferrari Testarossa, a vantagem principal que esse motor proporciona é o baixo centro de gravidade. Isso favorece de forma substancial a distribuição de peso, melhorando a fixação do carro no solo.

Outro detalhe interessante é o fato de o motor Boxer ter possibilitado a altura baixa do carro, tendo em vista que o motor é mais “achatado”, o que ocupa menos espaço no cofre. Os veículos com motorização em linha ou em V têm um tamanho maior, logo, são mais difíceis de serem inseridos em carros muito baixos.

Aerodinâmica

O motor é o principal responsável pelo desempenho de um supercarro, porém, não é o único. O conjunto aerodinâmico também tem uma influência muito grande nesse aspecto. As linhas da Ferrari Testarossa proporcionam um efeito de fixação do veículo no solo, o que garante uma boa estabilidade em curvas feitas em alta velocidade.

Além disso, não podemos esquecer do motor Boxer, que ajuda ainda mais a manter a estabilização do veículo, contribuindo para o melhor desempenho do sistema aerodinâmico. O bico pontudo e as pequenas aberturas ou vincos na lataria contribuem para a passagem de ar, de modo que o carro aumente sua aderência ao solo.

Espaço interno e outros detalhes técnicos

A Ferrari Testarossa foi originária no projeto de código F110, que teve como objetivo primordial resolver alguns defeitos de motorização e problemas de estrutura muito ruins no modelo BB 512i. Um deles era a falta de um porta-malas adequado e a falha no aquecimento do habitáculo, que era causado pelos dutos do radiador que ficava na frente do veículo.

Para solucionar essa última questão, foram adicionados radiadores laterais, que foram ocultados por alertas longitudinais que vieram integrados genialmente à carroceria. Quanto ao espaço interno, especialmente do porta-malas, foi outro grande desafio.

A solução foi construir um veículo com porte imponente, com cerca de 4,4 metros de comprimento, 1,97 de largura e 1,13 de altura. Além disso, foi empregada uma evolução que não existia no BB 512i, que foi o chassi tubular, o que possibilitou o redimensionamento do espaço interno sem comprometer a rigidez torcional do veículo.

Fonte Reprodução do site Wallpaper Cave Ferrari Testarossa 2

Em outras palavras, toda essa construção permitiu aos engenheiros aumentar o espaço interno — em comparação com o modelo anterior — sem prejudicar o desempenho, tão pouco colocar em risco um veículo que tinha um motor Boxer de incríveis 390 cavalos de potência.

Câmbio

Quanto ao câmbio, não existiram grandes novidades. Como a Ferrari já trabalhava com veículos de alto desempenho desde muito antes do lançamento do Testarossa, bastava adaptar uma tecnologia já existente em outros veículos da montadora para suportar o motor desenvolvido. Nesse sentido, o veículo foi equipado com um câmbio de 5 marchas manuais.

Podemos concluir que a Ferrari Testarossa marcou uma época repleta de desafios no meio econômico e social, sendo um verdadeiro divisor de águas no universo automobilístico, gerando referências para as demais montadoras na fabricação de seus supercarros. Além disso, é um veículo reverenciado e aclamado até os dias atuais.

Por fim, confira abaixo um incrível Paíto na Estrada que gravamos com esse modelo clássico!

Quer conhecer mais histórias de modelos, personagens, marcas e fatos importantes da indústria automotiva? Então, continue acompanhando nosso blog e compartilhe este conteúdo em suas redes sociais para que mais pessoas conheçam esse modelo icônico

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